8 de novembro de 2013

UM VILÃO NO TITANIC

UM VILÃO NO TITANIC 

Caledon Hockley, o noivo prometido de Rose Bukater no filme Titanic de James Cameron, não existiu mas hoje conhecemos verdadeiros vilões a bordo do Titanic. Este é Harry Haven Homer, um dos jogadores mais infames em primeira classe no Titanic. Nascido em 28 de Novembro de 1871, (outras fontes referem 1872) era filho de Richard Homer, um médico em Knightstown, Indiana, que nascera em 1819 em Londres e morrera em 1902 no Indiana. Apesar de ser filho de uma proeminente família, Homer era a ovelha negra, tinha como profissão oficial a de pecuarista até 1912 e residência oficial em Indianopolis. Harry teve uma educação esmerada mas preferiu navegar no Atlântico Norte com o objectivo de enganar os cavalheiros de primeira classe nos jogos de cartas. Além disso, ainda foi preso por outros crimes, envolvendo principalmente os crimes de roubo e burla ao longo dos anos. Embarcou em Cherbourg no Titanic, sobre o nome E. Haven de modo a não ser identificado como o burlão "Kid". Desconfio que é este o homem que em Maio de 1912 a sobrevivente do Titanic Lily May Futrelle, esposa do famoso escritor que faleceu no naufrágio, viria a mencionar ao expressar o seu desgosto de que o seu bom e decente marido tenha morrido no naufrágio, enquanto um jogador com seu olhar maldoso sobreviveu e se cruzou com ela no convés do Carpathia. Homer sobreviveu a bordo do bote 15 e casou-se com Delia Atwater, mas não teve filhos e tudo indica que ela ficava em casa enquanto ele exercia o seu negócio. Quando ela morreu, Henry mandou-a cremar e enviou as cinzas para os seus cunhados que viviam em Cincinnati, Ohio. Harry Homer não lhes disse o que seguia no pacote, mas pediu que simplesmente o guardassem até à próxima vez que ele os fosse visitar. Os anos se passaram e ele não visitara os cunhados, foi então que decidiram finalmente abrir o pacote e descobriram chocados que eram as cinzas da sua irmã. Assim, enterraram o recipiente com as cinzas de Delia na sua propriedade. Quando Harry Homer finalmente se decidiu a visitá-los, vários anos mais tarde, não perguntou o que tinha acontecido com as cinzas de Delia. Continuou a viajar e a burlar várias pessoas a bordo de navios, e em 1930 casa-se novamente com uma mulher chamada Irene Harris onde viveu num apartamento em New York. Provavelmente, num esforço para evitar as autoridades, ainda usou o nome do seu cunhado nos últimos anos de vida ao ponto de estar registado com esse nome na sua certidão de óbito. Morreu em 1939. A sua sobrinha residente em Albuquerque no Novo México diz que sabe algo sobre Homer que consegue ser pior do que qualquer outra coisa que se sabe sobre ele, mas que o que sabe vai morrer consigo. O jornal The Witney Gazette de 11 de Maio de 1912 talvez ajude a desvendar esse segredo: JOGADORES NO TITANIC ESCAPAM VESTIDOS DE MULHER Uma história extraordinária é relatada em New York a respeito da fuga no naufrágio do Titanic de dois jogadores bem conhecidos que, há já alguns anos, têm frequentado os navios do Atlântico, e contra os quais anúncios contra burlas e roubos são publicados em vários navios, e na verdade também foram colocados na sala de fumo do Titanic quando este saiu de Southampton.
Os dois homens, diz o correspondente de New York do jornal The Daily Chronicle, são conhecidos como "Doc Owen" e "Kid Homer", e estavam num jogo de cartas com um terceiro homem quando o acidente aconteceu. Ao perceberem que não havia salvação para o Titanic, decidiram tentar fugir num dos botes. Aqueles que tinham autoridade no navio, no entanto, foram permitindo que apenas mulheres e crianças pudessem partir. "Doc Owen", teria conseguido os serviços de um mordomo a bordo, e alega-se que tenha sido pago para manter a identidade dos jogadores em segredo durante a viagem, e, dando-lhe um maço de notas novas, pagou para este lhes fornecer roupas e chapéus de mulher. Vestidos com essas roupas, os três homens correram para o convés e embarcaram num barco salva-vidas cheio de mulheres. Depois desfizeram-se das roupas de mulher, que atiraram ao mar. O barco em que estavam cheio de mulheres imigrantes e os seus filhos não tinha homens suficientes para remar. Assim, a ajuda deles foi bem-vinda.

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