10 de março de 2014

DUAS BANDAS NO TITANIC

DUAS BANDAS NO TITANIC 
PARTE II

Durante a viagem os oito músicos do Titanic eram distribuídos por duas bandas, um quinteto e um trio. O quinteto era liderado por Wallace Hartley violinista, e o trio por John Law Hume violinista e pianista. As apresentações das duas bandas durante a viagem compunham-se do seguinte modo: 
O quinteto tocava três vezes por dia na segunda-classe: entre as 10:00 e as 11:00, entre as 17:00 e as 18:00 e entre as 21:15 e as 22:15 numa área para apresentações localizada no saguão de entrada do Convés C ao lado da base do mastro do navio, fora do caminho dos passantes, mas em local privilegiado para concertos. Quando as portas eram abertas a música poderia percorrer todo o convés até à Biblioteca da Segunda Classe, e descer os lances da escadaria de carvalho para os outros conveses.
Os passageiros da Primeira Classe também ouviam a apresentação deste quinteto três vezes por dia, mas em dois locais diferentes: a primeira era no topo da famosa Grande Escadaria dianteira das 11:00 até depois do meio-dia. Esta era a entrada a partir do Convés de Botes, e os acordes da música poderiam ser ouvidos do lado de fora e pelas escadas abaixo. As apresentações na Primeira Classe também aconteciam na Sala de Recepção do lado de fora do Salão de Jantar no Convés D, das 16:00 às 17:00 e das 20:00 às 21:15. 
A segunda banda do Titanic era um trio que se apresentava na Sala de Recepção da Primeira Classe no Convés B do lado de fora do Restaurante à La Carte e do Café Parisien. Esta banda era um trio de cordas, e os seus músicos apresentavam-se exclusivamente na área da Primeira Classe. A Grande Escadaria de popa abria-se para a Sala de Recepção, que era um amplo espaço fora do Restaurante. Os passageiros da Primeira Classe ao descer as escadas poderiam ouvir a música do trio antes mesmo de sentirem os aromas da cozinha. Apenas a elite da Primeira Classe do Titanic escolhia jantar nesta área, e estas refeições eram cobradas em separado sobre os bilhetes de embarque que já tinham refeições incluídas. 
Ao contrário do que é mostrado no filme de Cameron, a banda não tocava no salão de jantar da primeira e segunda classes durante o período de refeição. Apesar de nestes salões existir um piano, este servia exclusivamente para os serviços religiosos.
Na próxima semana vamos rever os depoimentos dos sobreviventes que confirmam a posição dos músicos no navio.

DUAS BANDAS NO TITANIC

DUAS BANDAS NO TITANIC 
PARTE I 

O heroísmo dos oito músicos do Titanic em permanecerem a bordo até ao fim tocando variadas peças musicais para divertir e acalmar os passageiros sobre a tragédia que se abatia sobre estes, é talvez dos pontos mais conhecidos do naufrágio do Titanic. A controvérsia persiste na última música tocada por eles antes de morrerem. Os sobreviventes, na sua maioria, afirmam que foi Nearer My God To Thee, outros dizem que apenas tocaram Alexander's Ragtime Band o tempo todo. Harold Bride, o operador de rádio, recordava-se perfeitamente da banda estar a tocar o hino episcopal Autumn. Um sobrevivente relata que se lembra muito bem da banda nos últimos momentos e que estes não estavam a tocar. A resposta para estes relatos diferentes pode estar nos minutos que cada sobrevivente se cruzou com os músicos, ou então algo mais cientifico em que o cérebro tenha gravado na memória de cada sobrevivente um momento mais marcante como achando que seria o último de suas vidas, tal como boa parte destes afirmaram que embarcaram no último bote disponível. É provável que Wallace Hartley, o líder da banda, tenha escolhido como última peça Nearer My God To Thee na versão "Propior Deo", dado o facto do seu pai, um maestro Metodista, usar esta versão na sua igreja por mais de 30 anos. Era também do conhecimento de todos o desejo de Hartley de esta ser a peça que um dia gostaria que fosse tocada no seu cortejo fúnebre. Ellwand Moody, um músico no Mauritânia, que serviu sob as ordens de Hartley disse a um jornal britânico: "Eu lembro-me que um dia perguntei o que ele faria se estivesse a bordo de um navio a afundar e ele respondeu: 'Eu acho que não faria nada melhor do que tocar ‘Oh God Our Help in Ages Past’ ou ‘Nearer, My God, to Thee’.” É certo que nos momentos finais depois de Nearer My God to Thee eles pararam de tocar, porque o seu corpo foi encontrado com os braços em volta de uma mala ao peito onde continha o seu violino que lhe era muito querido, já que tinha sido oferecido pela sua noiva. Então porque motivo outros sobreviventes não se recordam de Nearer My God To Thee mas de outras músicas? 
Porque eram duas bandas e não uma que tocava a bordo! Para começar, os oito músicos do Titanic não eram empregados da White Star Line. Eles foram recrutados por uma agência de música de Liverpool que por sua vez prestava serviços aos navios e assim embarcaram como passageiros de 2ª classe. Os oito músicos dividiam-se em dois grupos: um quinteto e um trio. 
Existem evidências de que as bandas nunca tocaram juntas quando o Titanic afundou. Deste modo, as músicas deles teriam chegado a mais passageiros. O efeito calmante das suas músicas teria coberto uma área maior do navio. A ideia de que as bandas se uniram para tocar nas horas finais do Titanic originou-se com Charles Black, da firma C. W. & F. N. Black, empregadora da banda do Titanic, um homem que jamais tinha posto os pés no Titanic e que nem testemunhou a tragédia. No entanto, essa ideia ganhou força com a imprensa e o público e se tornou parte da lenda do naufrágio do grande navio. Uma análise dos relatos dos sobreviventes e um conhecimento da planta do navio sugere o contrário: que o quinteto e o trio tocaram em grupos separados. Nas próximas semanas vamos analisar a fundo esta teoria.

27 de fevereiro de 2014

100 ANOS LANÇAMENTO BRITANNIC

BRITANNIC FOI LANÇADO HÁ 100 ANOS 

Foi há 100 anos que o Britannic, o irmão do Titanic, foi lançado ao mar. O Britannic foi o último dos três navios da classe Olympic que a Harland and Wolff construiu para a White Star Line. A quilha foi construída antes da viagem inaugural do Titanic na mesma estrutura onde tinha sido construído o Olympic, mas a construção foi paralisada depois que o Titanic afundou. Ele seria chamado de RMS Gigantic, mas foi mudado para Britannic logo após a catástrofe do Titanic. A White Star ficou obcecada com a segurança de seus navios depois do desastre do Titanic. A sua construção começou em 30 de Novembro de 1911 mas só foi lançado ao mar em 26 de Fevereiro de 1914 e a White Star anunciou que ele faria a linha entre Southampton e Nova Iorque a partir da Primavera de 1915. O vídeo acima tem precisamente 100 anos, e mostra o lançamento do grande navio.











16 de fevereiro de 2014

O TITANIC E O DIA DE SÃO VALENTIM

TITANIC VALENTINE'S DAY 

Titanic foi eleito o 2º filme no top 5 das longas metragens para se assistir no Dia de São Valentim. Apenas perdendo para The Notebook, Titanic ainda continua sendo uma boa escolha romântica para hoje. Já em 1998, neste mesmo dia o filme alcançou o seu maior volume de vendas de bilhetes de cinema enquanto esteve em exibição destronando Jurassic Park de 1993. O Museu Titanic Belfast celebrou o Valentine's Day dando um momento inesquecível aos casais que quisessem tomar chá numa das réplicas dos salões luxuosos do Titanic que se encontram no museu. 
Recuando até 1883, neste mesmo dia nascia em Cosham, Portsmouth, Hampshire, England, UK, o passageiro de 2ª classe Charles Valentine Clarke, filho de Harry Clarke e Jane Emma Hall Clarke. Foi-lhe dado o nome do meio Valentine por ter nascido no dia de São Valentim. Em 1912, para celebrarem o amor, o passageiro de 2ª classe John William Gill casou-se com Sarah Elizabeth Wilton Hodder em St. John the Evangelist, Clevedon, Somerset. Dois outros passageiros bastante nossos conhecidos, Lawrence Beesley e Eva Hart faleceram no dia de hoje. Mas a história mais marcante para este dia aconteceu com a passageira de 3ª classe Jennie Louise Hansen. Jennie embarcou com o seu esposo neste dia com destino à Europa no navio da Cunard RMS Campania. Antes de embarcar disse ao seu irmão Thomas que temia fazer a viagem, que tinha a sensação de que nunca voltaria com vida, e deixou claro qual o tipo de funeral que ela queria no caso do seu corpo ser recuperado do mar (Thomas levou isto em tom de piada). A sua viagem de volta seria no Titanic.

9 de fevereiro de 2014

Mito Desfeito

MITO DESFEITO

Por mais de 100 anos permaneceu a dúvida desde o naufrágio do Titanic. Considerado o último mito por desvendar do Titanic, eis que agora chega ao fim. Seria Helen Kramer a menina Loraine Allison que se suponha ter morrido no Titanic? Quando o navio se afundou no Oceano Atlântico em 1912, todas as crianças de primeira e segunda classes sobreviveram, excepto Loraine Allison.


Loraine tinha dois anos de idade quando na noite de 14 para 15 de Abril de 1912, os seus pais, desesperados sabendo que o navio se ia afundar, procuravam pelo seu irmão mais novo, Trevor de apenas onze meses e que fora levado por uma das criadas da família, Alice Cleaver, entrando num dos botes do navio sem o conhecimento destes. A busca desesperada custou a vida de Loraine e dos seus pais, cujos corpos, com excepção do pai, nunca foram encontrados.


Em 1940, uma mulher chamada Helen Kramer foi ao programa de rádio "We, the People" dizendo ser Loraine Allison. De acordo com a sua versão, ela teria sido salva por Thomas Andrews, que, ao contrário do que se acreditava, teria sobrevivido, com o nome falso de Sr Hyde que a criou e, anos depois, revelou quem ela realmente era.
Desde então, a senhora Kramer tentou convencer e provar à família Allison que ela era a menina desaparecida no naufrágio. Durante cinquenta anos, a família Allison sempre a considerou a história uma farsa e recusou-se a aceitá-la como sendo Loraine Allison. Helen Kramer veio a falecer em 1992 sem poder provar a sua identidade. Em 2012, no site da Encyclopedia Titanic, uma senhora chamada Debrina Woods, disse ser neta de Helen Kramer, e que pretendia avançar com o projecto dos testes de DNA. Debrina juntou toda a documentação que a sua avó tinha e que provaria ser Loraine Allison e continuou a sua luta de convencer os Allison que ela era descendente de Loraine. Agora a família finalmente soube a verdade. 

Um grupo de entusiastas do Titanic criou o Loraine Allison Identification Project para persuadir e encorajar os membros da família Allison a realizar um teste de DNA. 
Segundo o jornal The Telegraph os resultados foram conclusivos e apontaram que Helen Kramer e Debrina Woods não tinham qualquer parentesco com qualquer membro da família Allison.

"É ótimo resolver esse caso, mas não podemos esquecer que este é apenas um dos inúmeros casos trágicos do Titanic, o único mistério que permanece é quem foi Helen Kramer". 

disse Tracy Oost, fundadora do projeto Loraine Allison Identification, ao The Telegraph."

Assim, os momentos finais da família Allison são, muito provavelmente, os que podemos ver no vídeo deste artigo.